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Tradicional Clube dos Fumicultores agoniza e diretoria luta para evitar fechamento

Foram-se os tempos áureos do Clube dos Fumicultores de Arapiraca. Dos bailes e matinês; das noites sem fim e das manhãs de sol na pérgula da piscina; dos encontros e desencontros; do primeiro beijo aos casamentos mais concorridos da cidade; das festas promovidas pela casa, ou pelo Rotary, Léo Clube e outros promotores de eventos; além dos inesquecíveis carnavais com orquestras de frevo e do baile da zabumba; do primeiro ao último gole até mais uma saideira, vendo o sol nascer.

Era lá que a festa de Momo começava depois que ganhava as ruas da cidade. Quem não viveu, provavelmente agora só verá em desbotadas fotos originais ou imagens recuperadas e digitalizadas na internet. Seu auge nos anos 50, 60, 70 e 80 fez com que até os dias atuais o Clube dos Fumicultores (fundado em 1949) seja conhecido popularmente apenas como o Clube.

E se o Clube já não vinha bem financeiramente, desde o início dos anos 2000, foi depois da pandemia de Covid-19 que o drama só aumentou com o fechamento de suas portas para eventos em geral. Mesmo após a reabertura parcial da casa, com a mudança da bandeira de alerta do coronavírus, o mais tradicional clube social da cidade não pode ter aglomerações e o movimento foi quase zero.

Agora, com o novo decreto estadual, a casa se tranca e agoniza com o distanciamento do quadro social e a consequente falta de recursos para honrar seus compromissos de custeio. Os poucos funcionários da casa precisam receber seus salários e as despesas, mesmo reduzidas, com água, manutenção da piscina, energia elétrica e encargos também precisa estar em dia.

O atual presidente, Gustavo Brandão (2017-2019 – 2019/2021), conta que assumiu um clube com inúmeros desafios e problemas, mas confiante de que faria uma gestão para resgatar o casarão verde de décadas de glamour e momentos que marcaram a história de Arapiraca. Ao final de seu primeiro mandato, em 2019, Gustavo renovou os votos de confiança dos associados do Clube que reconheceram que seu trabalho sério e transparente deveria continuar. Aí veio a Covid.

“A dificuldade que já existia, de inadimplência, por exemplo, a pandemia só fez piorar. Pra se ter uma ideia, a gente passou todo o primeiro decreto do Estado direto, deixando o Clube fechado nove meses. Abrimos, mas sem poder realizar eventos, sem poder realizar festas, sem poder alugar o salão nobre, um caos, porque o Clube sobrevive disso também. Mais dificuldade para honrar com os compromissos, imagine”, relata Gustavo.   

De acordo com o presidente, atualmente existe mais de R$ 1 milhão e meio de mensalidades em atraso e o pesadelo de ter o ginásio de esportes penhorado, mais uma vez, bate à porta, já que o Clube dos Fumicultores não consegue manter o parcelamento do acordo financeiro com a justiça em dia. O sócio se distancia e não paga as mensalidades e o caos só aumenta. 

“A gente fez um levantamento e o Clube tem a receber de sócios proprietários inadimplentes cerca de R$ 1 milhão e 600 mil. Tínhamos uma penhora, que era o ginásio de esportes e na nossa gestão conseguimos firmar um acordo e parcelar a dívida, mas infelizmente com a falta de recursos para pagar o parcelamento ele deve entrar em penhora novamente”, diz.

Gustavo aproveitou para anunciar que a diretoria do Clube planeja realizar um bingo com objetivo de angariar recursos para minimizar os problemas e evitar a perda do Ginásio Acebílio Vieira Leite. Ele destaca a importância do Fumicultores não apenas para funcionários e associados, mas para toda sociedade arapiraquense.

“Estamos formando uma equipe para fazer um bingo pra poder dar uma levantada no Clube e depois reabrir, reabrir com condições. Vamos apresentar a nossa realidade e conclamar a todos para participarem desta iniciativa e mostrar a importância do Clube para associados de todas as categorias, funcionários, prestadores…

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